
| Artigo: "Pensa que é fácil?"* |
| Fonte: PublishNews | |||
| Sex, 10 de Fevereiro de 2012 / 12:38 | |||
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Por Camila Cabete* Agora está realmente acontecendo: os mercados editorial e livreiro caíram na realidade digital! Como distribuidora, posso dizer que estamos numa fase passiva, captando contatos que nos chegam diariamente. Parece fácil... A livraria digital que usamos de case vem recebendo obras de sucesso, simultaneamente com os lançamentos dos impressos. Grandes editoras, grandes lançamentos. Acabei de ler três best sellers, comprados no digital, em loja brasileira de editora brasileira...fiquei tão feliz! Ainda estamos com algumas questões: o DRM ainda não é tão confortável, os sites estão implementando a tecnologia e se acostumando com este novo mercado. As editoras ainda não possuem verba tão definida de marketing para este tipo de produto (acham que é só converter e disponibilizar e esquecem que a internet equivale a uma livraria do tamanho da lua! Os livros têm que se destacar!). Mas o digital já é realidade no Brasil. Em breve grandes players internacionais virão e pronto: brasileiro é meio assim, precisamos ainda do aval do “primeiro mundo” para acreditar e apostar em algo. O que não podemos esquecer é que o Brasil é hoje a vedete da vez. Chegou a hora de ditarmos tendências e andar com as próprias pernas, não acham? Todo esse movimento pode também gerar uma ideia errada de facilidade extrema. Estou me referindo às instituições de ensino e ao nosso governo. Este anunciou compras milionárias de tablets sendo que o mais importante, antes do gadget, é o sistema que operará e distribuirá o conteúdo aos alunos. Não adianta nada comprar tablets se os próprios livros didáticos se encontram um passo atrás na digitalização. Se uma universidade investe todo o seu capital em gadgets...sinto muito, não terá fôlego para o desenvolvimento da tecnologia que deverá estar atrás do hardware. O que adianta ter um tablet se o conteúdo de que o aluno precisará não está digitalizado e não está sendo comercializado? Isso tudo se mostra bem perigoso. Vocês sabem que não tenho talento para o drama e costumo ver as coisas com as tais lentes cor-de-rosa. Mas será que esse processo todo voltado para gadget, e não para o conteúdo, não estará dando uma forcinha à pirataria? Lembra das músicas? Ipod antes de conteúdo à venda = pirataria. Não querendo desanimar, reafirmo que a migração para o digital veio para facilitar. Sim, é fácil e simplifica os processos. Mas antes que invistam no hardware, pensem nas tecnologias e na conversão dos acervos. Ora, vejam só...uma “veterana” dos eBooks dando conselho ao governo...hihi
Sugestões, perguntas e comentários: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. Camila Cabete (@camilacabete) tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos (Ciência Moderna). Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido (@gatosabido). É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books (@cakibooks), uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.
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