Saraiva e Cultura buscam eReaders “baratos”
Fonte: PublishNews   
Sex, 10 de Fevereiro de 2012 / 12:47

Varejistas precisam solucionar problema do hardware para competir com a Amazon

A maior vendedora de livros do mundo vai instalar-se no Brasil e tem nas mãos uma peça-chave para explorar o mercado de livros digitais: o hardware. E não um hardware qualquer. O Kindle, da Amazon, não apenas costuma ser muito bem avaliado pelos usuários como é vendido a preços módicos – em território brasileiro, ele poderá desembarcar a R$ 199.

Nada mais lógico, portanto, que diante desse cenário as grandes varejistas brasileiras corram para solucionar um problema: com qual dispositivo elas vão concorrer com a Amazon?

“Estamos buscando alternativas ao Kindle”, afirma Fabio Herz, diretor de marketing e relacionamento da Livraria Cultura. “E não só por causa da Amazon, mas porque no mercado de e-books o hardware é fundamental.” A perspectiva é que a Cultura ofereça, ainda este ano, uma opção de dispositivo ao consumidor brasileiro, afirma o executivo, sem dar mais detalhes.

Marcílio Pousada, diretor presidente das livrarias Saraiva, diz algo semelhante. “Estamos ativamente buscando um eReader barato para vender no Brasil.” Segundo ele, os preços dos dispositivos exclusivos para leitura oferecidos no país não são nada competitivos – nem com o Kindle e nem com os tablets. Tanto é que a Saraiva não vende mais nenhum leitor eletrônico pelo seu e-commerce.

“Acreditamos que o divisor de águas do livro eletrônico no Brasil é o tablet, e não o eReader, mas precisamos ter uma opção de dispositivo dedicado à leitura”, afirma.

A Cultura ainda vende dois modelos de eReaders no seu site, mas os preços são salgados. O iRiver e o Positivo Alfa saem, cada um, por R$ 799.

A grande dificuldade, aponta Herz, é justamente encontrar um aparelho de leitura de qualidade que seja tão barato quanto o Kindle. “Vender algo na faixa dos US$ 100, como o Kindle é vendido nos Estados Unidos, é quase impossível por aqui”, diz.

Por ora, nenhuma das varejistas nacionais parece estar disposta a usar a mesma estratégia da Amazon, que é a de subsidiar o preço do Kindle aos consumidores, em troca do ganho de participação de mercado e da receita com a venda de conteúdo.

Sobram especulações de que, neste momento, as duas varejistas brasileiras estariam conversando com a Barnes & Noble. A maior concorrente americana da Amazon vem se pronunciando sobre expandir internacionalmente e é esperado que ela feche uma parceria com a rede Waterstones, do Reino Unido, como forma de fincar o pé na Europa. Perguntado sobre o assunto, Herz, da Cultura, responde: “São, de fato, especulações.” Procurada pelo PublishNews, a Barnes & Noble não respondeu.

 
           

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