Futuro do livro já é uma página virada*
Fonte: Administrator   
Dom, 03 de Janeiro de 2010 / 11:17

eBookE-book domina debate na Feira do Livro de Guadalajara.

Até este domingo (5), em Guadalajara, a segunda maior cidade do México, editores vindos de 40 países se reuniram naquela que é a maior feira de livros em espanhol.Da intensa programação, que se estendeu por uma semana, o destaque ficou para o 8º Fórum Internacional de Editores e Profissionais do Livro, que não escapou do assunto que tem dominado o meio editorial: o impacto da tecnologia. O tema colocou em pauta as mudanças do processo editorial e do suporte de leitura; trouxe à baila a edição digital e as mudanças em bibliotecas e no ato de ler. 

 Para Nubia Macías, diretora da Feira do Livro de Guadalajara, a questão é como tirar proveito da mudança tecnológica. “Queremos mostrar como aproveitar as mudanças. O mercado insiste em falar no futuro do livro, quando esse futuro já está entre nós”. 

A abertura do fórum ficou a cargo de Steve Wasserman, diretor de uma das mais importantes agências literárias dos EUA, ex-editor da Times Books e da Los Angeles Times Book Review. Para ele, “os novos suportes podem representar uma busca por novas linguagens literárias”. 

Wasserman é otimista em relação aos meios eletrônicos. Atribui a eles a possibilidade de diversificar o mercado e fazer surgir novos leitores. “Há quem diga que agora somos mais dispersos e que não vamos mais ler como antes, mas desde a aparição da imprensa nossa forma de ler mudou”, disse. Para ele, a história da leitura é tão complexa quanto a do pensamento. “Assim como idiomas oferecem diferentes maneiras de entender o mundo, distintas formas de leitura também.” 

Quanto ao mercado para e-books, ele ainda está no começo. Nos EUA, hoje as vendas representam menos de 2% do comércio de livros no país. Para Wasserman, o mundo sem papel não se concretiza porque o mercado está segue aquecido e as editoras continuam a imprimir livros a todo o vapor. 

Na conferência 

Evolução da publicação digital: uma nova profissão?, John W. Warren, diretor de marketing e publicações da Rand Corporation, comparou a digitalização de livros à popularização da imprensa de Guttenberg. Da mesma forma como acontece hoje, a nova tecnologia não foi assimilada de pronto: os livros eram impressos da mesma maneira como eram feitos na era medieval, com as mesmas ilustrações, os mesmos tipos de letras e os mesmos tamanhos. Foi necessário algum tempo para que fosse desenvolvida uma linguagem própria, que tirasse proveito das inovações introduzidas.

Nas palavras de Warren: “O livro digital deve ser uma experiência interativa na qual o leitor constrói sua própria história ou, no caso de textos científicos ou educativos, acesse mapas e galerias de imagens, para, dessa forma, ter conteúdos agregados e, ainda, conversar com outros leitores interessados no mesmo texto”.

Para que isso aconteça, o editor deve assumir uma mudança de papel. Seu trabalho não será mais apenas encontrar grandes autores. Ele vai se transformar em um administrador, um “produtor” e, principalmente, um difusor de conteúdos digitais.

Pesquisa

Maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, que neste ano aconteceu em setembro, publicou recentemente estudo Quais são os modelos de negócio do futuro?. Realizado em parceria com a revista Publishers Weekly, o panorama reúne a opinião de 840 profissionais do setor editorial.

Números

80% dos entrevistados considera a entrada do livro no universo digital uma oportunidade.
72% asseguram que o desenvolvimento de novos modelos de negócios, novos produtos multimídia e novas estratégias de marketing são as grandes mudanças da indústria
19% como prioridade se conectar a outras indústrias de entretenimento, como filmes, games e música
12% consideram que há urgência em investir nos mercados digitais.
41% acreditam que a crise financeira não teve influência no desenvolvimento dos novos modelos de negócios digitais
41% creem que em 2011 as vendas de livros digitais será superior a 10% do mercado.
50% em 2018 o mercado digital suplantará o impresso; 22% acreditam que isso nunca acontecerá.

Fonte: Estadao
 
           

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